Decidi definitivamente enxergar o que se apresenta aos meus olhos. Percebo que ver a beleza da vida é certamente uma questão de escolha,embora a chave desse tesouro muitas vezes se encontre em lugares cavernosos. Então há que se resgatar um pouco de coragem nas nossas profundezas e resolver enfrentar, não a vida, mas a nós mesmos.
Tenho aprendido a olhar para baixo, porque é necessário ver as pedras e os obstáculos do caminho e é prudente escolher aquilo que dói menos, quando essa escolha é possível. Contudo, também olho para baixo por outros motivos, como um sinal de humildade diante das minhas próprias fraquezas e porque é reconfortante saber que há um chão capaz de me segurar se eu cair.
Entretanto, tenho aprendido também a olhar para o horizonte e ver animais sem medo do ser humano e ver pessoas sem medo umas das outras. E também, nessa direção, ver campos, ver serras e ser presenteada todos os dias com um lindo pôr-do-sol, estrategicamente localizado no horizonte do meu caminho, esplendoroso, divino.
Tenho aprendido a olhar para o lado e ver, sentir, abraçar gente e ver tanta beleza que há além da roupa, além da face, além da fala. É aquela beleza do fundo do olhar, com tantas experiências diferentes das que nós temos. Nem melhores, nem piores, diferentes. Cada um na sua luta cotidianamente.
Olhando pra cima, vejo um céu límpido e com tantas, tantas estrelas que até não incomoda mais se há uma queda rápida de energia. Já sei o que fazer: correr para calçada e desfrutar um banquete de constelações.
Além de tudo, tenho aprendido a olhar mais para dentro do que para o relógio da parede, do que para o calendário da mesa. O tempo que temos na vida não é definido por nós mesmos, ele é simplesmente por nós administrado. Assim sendo, cabe a nós fazermos sempre o melhor possível, sermos o melhor possível até aportarmos em outras paisagens.
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