Estávamos em uma mesa de amigos,
conversando sobre ações comunitárias, quando um dos presentes fez
um depoimento. Contava que, todos os anos, ela doava suas roupas para
instituições que as repassam para quem mais precisava. Até aí
seria um fato convencional, o que realmente me chamou a atenção foi
a afirmação de que ela não doava apenas as roupas de que ela não
gostava ou que já não tinham uso. Ela doava exatamente 50% do seu
guarda-roupa. Assim, sem escolha.
O fato é que essa minha amiga é
publicitária, e não uma franciscana reclusa desapegada, e ela
obviamente precisa andar bem vestida, pelo menos no seu ambiente de
trabalho. Além disso, ela não é uma pessoa que compra roupas com
freqüência, mas, provavelmente por ironia da vida, ela ganha a
maior parte delas.
No outro dia, ao abrir o
guarda-roupa para escolher o que usaria para o trabalho, lembrei-me
imediatamente daquele relato. Não que eu também tenha muitas
roupas, afinal, comprá-las nunca foi um esporte na minha vida, eu
sempre me detive ao que era necessário. Porém, possuo peças
suficientes para ter dúvidas sobre o que vestir todas as manhãs.
Olhei pra elas e fiquei me perguntando como eu faria se eu decidisse
doar 50% do meu guarda-roupa. Eu certamente usaria critérios, o que
não me faz uma pessoa tão evoluída assim. Por que os critérios?
Porque eu também não posso ir ao trabalho com qualquer roupa, já
que todos esperam que nós andemos elegantes, bem trajados.
Cada profissão tem um perfil de
vestimenta, como se isso fizesse parte da sua formação acadêmica,
quando não da sua personalidade. Infelizmente nos orientamos por
essas convenções, mas penso como seria bom se pudéssemos ir
trabalhar com o estilo de roupa ou tipo de roupa que queremos. Como
seria bom se a imagem não fosse mais valorizada do que a nossa
competência. Se as pessoas sorrissem pra você, não após a
avaliação completa do seu look do dia, mas simplesmente por
retribuir o sorriso verdadeiro que você ofereceu primeiro.
Alguns diriam que isso acontece
porque a aparência é a primeira coisa que podemos avaliar em uma
pessoa. E eu pergunto, por que não focar se há ou não brilho no
olhar, sorriso no rosto, segurança na postura? O que acontece é que
no mercado profissional, juntamos a roupa, o cabelo e a maquiagem,
com a expressão corporal, analisamos o que é dispensável e o
indispensável e no somatório esperamos profissionais modelos de
revista. As sutilezas ficam em segundo plano e são as sutilezas que
trazem o desgaste das relações de trabalho no dia a dia.
Pensando bem, devíamos adotar o
hábito dos 50% em várias esferas da nossa vida. Devíamos fazer
esse balanço pelo menos uma vez por ano e deixar ir não só as
roupas, mas também os comportamentos e valores dispensáveis.
Interessante termos abordado temas de emprego. Apesar de diferentes, por enquanto. Acho super legal esse DESAPEGO comentado e essa proposta dos 50%. Mas sobre o mercado de trabalho, eu ainda acho que uma boa vestimenta ajuda não pela avaliação "fisica", como bem colocado, por ser "modelo" de revista, mas tambem para avaliar o quão á serio esta sendo levado aquele momento seletivo.
ResponderExcluirOutro dia eu me deparei com uma situação, no minimo inusitada: Um senho com um carrinho de mão vendendo frutas, cultivadas em seu proprio quintal, um senhor humilde. Mas ele trajava uma calça social, camisa de botão branca e terno preto.
Achando isso inusitado, o chamei e perguntei o porque de tanta roupa naquele calor "infernal" de Cascavel-CE, e ele me respondeu que era simples: - Ele estava trabalhando!